Pode me chamar de egoísta, mas eu detesto abrir este espaço nobilíssimo para outros bichos. Acontece que o Bolívar (um sujeito que trabalha com o Digitador) mandou a foto acima. Ao vê-la, não me contive e pedi para que ela fosse colocada aqui no blog em sinal de protesto. Não, não é nenhuma dessas reclamações típicas de sociedades protetoras de animais. O meu protesto é contra o Digitador. Afinal, parece que tem gente que está se divertindo muito mais que eu!
Como prometido dois posts atrás, relato aqui o final de sábado em que elucidei mais um episódio relativo à escolha do meu nome.
Depois de termos passado várias horas no shopping, fomos à praça Benedito Calixto. Estava menos cheia que o habitual. Senti isso pela quantidade menor de pernas e pelas poucas vezes em que ouvi “olha, que linda!”. No começo, isso me desanimou, pois, se tem uma coisa legal em ir à praça, é a massagem que rola no meu ego. E, não vou negar, sou adepta do quanto mais melhor.
Apesar disso, tenho de dar a pata a torcer quando o assunto é qualidade. Tem gente que me abraça com tanta intensidade e carinho que, para mim, vale por um coral de mil vozes em falsete entoando “ai, que gracinha!”.
Recebi um desses abraços no meio da praça de alimentação do lugar. E foi cinematográfico. A moça chegou toda de preto, uma garoinha caía e os tiozinhos que tocam chorinho estavam botando pra quebrar. Enquanto me abraçava e beijava, a moça dizia: “Nossa, Clementina, eu não via a hora de conhecer você! Quero você pra mim”. Quando ela disse isso, o Digitador arregalou os olhos.
Isso porque a moça, que se chama Bianca, tem uma outra pessoa dentro da barriga dela. É, ela está grávida já no sexto mês. E, reza a lenda, uma mulher nessas condições não pode passar vontades (esses humanos inventam cada uma!!!). Só percebi o alívio na cara do cara que divide o apê comigo na hora em que a moça disse: “Ah, fica frio, é brincadeira”.
Tá bom, e o que isso tudo tem a ver com a escolha do meu nome? O Digitador me confidenciou que o primeiro nome que ele bolou pra mim era Clara, em homenagem a uma outra cantora. Daí, a Bianca – que é casada com o Danilo, irmão da Dani de dois posts atrás – engravidou e disse que, caso fosse menina, esse seria o nome da criança. O Digitador tentou negociar alegando que aquilo seria uma homenagem. Mas a Bianca bateu o pé e dispensou a honraria.
Ok, mas agora a Bianca sabe que, dentro da barriga dela, está o Daniel. Assim, eu poderia ter recebido o nome original. E, daqui por diante, sempre ficarei em dúvida se Clara não ficaria melhor em mim. O que você acha?
Bom, como diz o outro, onde passa um boi passa uma boiada. Desencanei de ser a única estrela deste blog. Ontem, o Digitador me mostrou o vídeo acima, que o cara recebeu do Bolívar, um amante de cães que trabalha com ele. Morremos de rir com a relação do humorista Rafinha Bastos e o seu pug, o Walmor Chagas (sen-sa-cio-nal esse nome). Tudo começa muito meigo, com cão e dono dançando ao som dos Carpenters, que, me informa o Digitador, é uma banda que ele e a amigona Ana Karina (que já veio me visitar; depois eu conto) amam de paixão. Só não gostei do final do vídeo. Veja, e você vai entender o porquê.
Não sei se é pela culpa de me deixar tanto tempo sozinha. O certo é que o Digitador me enche de mimos materiais. Já no dia em que me pegou na pet shop, lotou a caixa que me serviu de transporte com ossinhos falsos (pensa que eu não sei?) e coisinhas de plástico que emitem ruídos irritantes. Não passa um mês sem que ele apareça com alguma bugiganga nova. Como sou uma moça educada, sempre faço cara de “gostei, obrigada”.
No começo, eu hesitava muito antes de pegar esses brinquedos. Primeiro porque ficava indignada com a possibilidade de ele pensar que aquelas coisas poderiam substituir horas rolando pelo chão da sala, um passeio na praça ou uma escovada nos meus pêlos. Segundo porque eu não sabia de fato se aquelas coisas eram minhas.
Mas hoje, confesso, perdi todos os pudores. Estou numa fase da vida em que quero conhecer tudo com a boca. Mordisco o que estiver pela frente. Nesses cerca de 80 dias em que vivo com o Digitador, já “vitimei” dois tapetes (já escolhi o terceiro), a forração do sofá da sala, o revestimento de duas cadeiras, um vaso e uma cueca. Os brinquedinhos que ganho são uma alternativa que dá um pouco de variedade a esse meu hábito.
Prefiro aqueles brinquedos de cordinha com nó. Mordo aquilo até dizer chega. Adoro também os ossinhos falsos. Entre as coisas de plástico ou borracha, as melhores são as que não fazem barulho. Perto da minha caminha, ficam dois objetos que emitem ruído. Mantenho uma distância segura deles, mas, de vez em quando, o Digitador ou a Nininha esbarram neles. E, cada vez que isso acontece, fico com a impressão de que precisarei de umas cinco sessões de análise para me livrar do trauma.
Bom, depois de tanto blablablá, finalmente cheguei ao ponto que justifica este post. O Digitador tem uma amiga muito legal chamada Juliana. Ela se encontrou com o cara antes de viajar para Manaus, onde irá passar dois meses trabalhando. Não sei se ela deu algum presente pra ele, mas eu ganhei um pug de pelúcia – o Digitador não me deixa morder o brinquedo; sacanagem, pô, o negócio é meu – e um halteres de plástico que... emite ruídos. Tudo bem, como o presente foi dado com carinho, descobri um jeito de mordiscar a peça e mantê-la muda ao mesmo tempo.
Mas pode ir tirando o cavalinho da chuva. Não estou nem um pouco a fim de passar horas descobrindo uma maneira de me divertir com um brinquedo. E já deixo o aviso: o dia 12 de setembro não está tão longe assim. Caso você queira me presentear, lembre-se das cordinhas e dos ossinhos. Ou, melhor ainda, me convide para passear no parque, ir à feira ou andar pelas ruas. Pra falar a verdade, tô por aqui de brinquedo de plástico. Quero brinquedo de carne e osso!
Acho que estou amadurecendo com muita rapidez. Isso porque estou muito mais tolerante do que era poucos meses atrás. Já abri espaço para outros cães neste blog e estou prestes a fazer mais uma concessão da qual espero não me arrepender no futuro próximo. O caso é o seguinte: o Digitador passou o final de semana inteiro enchendo o meu saco pedindo para postar um texto produzido e idealizado por ele, sem a minha interferência. E ele fazia os pedidos com uma carinha de cadela no cio. Acabei não resistindo e liberei um postzinho. Um só! Como não consigo ler, peço a você que confira se o cara falou algo desabonador a meu respeito. Bom, então lá vai: com vocês, o Digitador.
“Caro(a) leitor(a) do Blog da Clementina,
Estou prestes a completar três meses na companhia da mais eficiente perfuradora de sofás que existe na galáxia. São quase 90 dias ensinando a moça a fazer cocô no lugar certo, a não avançar sobre a perna das visitas durante as refeições, a evitar atritos com outros cães durante os nossos passeios e a não destruir os poucos tapetes que sobreviveram na casa.
Por outro lado, teve coisas que eu não precisei ensinar. Ou, melhor, aprendi um tanto com a cachorrinha que divide (numa proporção de 75% pra ela e 25% pra mim) o apê comigo.
Acabei de passar por uma fase meio barra pesada. Primeiro, o AVC do meu pai (que está se recuperando muito bem). Depois, alguns desacertos sentimentais. Por fim, a eliminação do Santos no Campeonato Paulista (este último ponto entra aqui mais por brincadeira). O fato é que, tudo somado, isso teria o poder de me desestabilizar emocionalmente.
Em algumas noites, antes de chegar em casa, pensava no quanto essas coisas poderiam me fazer sofrer. Mas, ao girar a chave na porta, já ouvia aquela respiração alta. Depois, um furacão de felicidade invadia a minha sala. Era a Clê saltitante, abanando freneticamente o rabo, com os olhos arregalados de tanta alegria.
Não havia tristeza que resistisse a essas demonstrações de amor incondicional. Invariavelmente, eu largava a minha mala e dava início à sessão de rolagem sobre o chão da sala. Pra mim, era como se o tempo parasse e nada mais tivesse a menor importância. Ali, com a Clementina pulando sobre as minhas pernas e dando mordiscadas de brincadeira nas minhas mãos, eu tinha uma única certeza: o mundo vai acabar antes do amor que temos entre a gente.
Assim, pedi licença para escrever este post só para dizer um obrigado gigantesco à minha cachorrinha. Sem saber e só sendo quem ela é, tem sido minha companhia, terapeuta e, contra a própria vontade, minha cura contra uma carência renitente.
Valeu, Clê, graças a você sou um homem melhor hoje do que era três meses atrás!
Bom, agora só peço a você, leitor(a), um favorzinho: não conte a ela tudo o que escrevi aqui, pois a moça já se acha.
Olha só, um belíssimo representante da minha linhagem estava tentando fazer um lanche com petiscos que sua dona colocou sobre o sofá. Mas aí apareceu um gato chato e transformou o repasto num inferno. Não tenho nada contra os felinos, mas esse merecia uma bela mordida.
Minha cara leitora, meu caro leitor, quer ter o protetor de tela mais fofo do mercado em seu computador? Então visite este link e baixe a coisa. Deixo abaixo um videozinho para você ver como a sua máquina vai ficar irresistível.
Na medida em que vou descobrindo as coisas, constato que o mundo é uma coisa complicada pra caramba. Ontem, por exemplo, fui apresentada a uma nova palavra: “dimensão”. Não sabia o quanto ela é importante na hora de diferenciar as coisas que têm vida das demais.
Começamos o nosso dia com o Digitador me pedindo desculpas. Ele viu a minha cumbuquinha de ração vazia e foi completá-la. Quando chegou ao lugarzinho onde costuma guardar as minhas delícias, notou que a ração havia acabado. Olhou pra mim com aquela cara de culpado, implorou pelo meu perdão, pegou a minha coleira e fomos passear. “Estamos indo à pet shop”, avisou, na tentativa de me acalmar.
Eu não dei mole. Assumi a expressão mais esfomeada que eu sou capaz de produzir. Ele fingiu que não viu, mas tenho certeza de que captou a mensagem. Tanto que acelerou o passo até chegarmos ao lugar onde vende ração, que fica umas oito quadras de casa.
Adoro pet shops. Os cheiros me dão aquela sensação de conforto caseiro. Ver aquele monte de ossinhos, tapetes, toalhas, brinquedos, rações etc. representa para mim uma experiência quase religiosa (essa foi uma intervenção do Digitador; afinal, a gente ainda nem tem certeza de que os cães têm alma!!! Ele diz que não sabe dos outros bichos, mas que eu tenho alma, sim). Ah, e tem as pessoas que freqüentam ou trabalham nesses locais. São loucos por cães. E, quando eu entro, dá para ouvir um coro gigantesco de gente entoando “óóóóóó”.
Empolgada que só, de repente, vi um golden retriever maravilhoso. Grande, peludo, parecia até que sorria pra mim. Corri na direção dele e saltei. Acabei dando de cara com a lateral de uma prateleira. O que eu pensava ser um bicho bonito com o qual brincar era na verdade uma fotografia colada no móvel.
“Clê, você precisa diferenciar o que tem duas dimensões das coisas que possuem pelo menos três”, disse o Digitador. Espero que tenha entendido o que ele quis dizer, pois estou até agora com o meu focinho meio dolorido por conta da experiência.
E, enquanto saboreio a minha ração recém-comprada, penso só numa coisa: gostaria de conhecer aquele golden retriever em mais de duas dimensões. Ele pareceu bem simpático e brincalhão.
Não sei o que o futuro me reserva, mas tenho a esperança de que muitas experiências vão acontecer na minha vida. E muito melhores do que as que rolaram até aqui. Até esses dias chegarem, resolvi fazer, na véspera de completar sete meses de idade, a lista das dez coisas de que mais gosto (ou gostei) de fazer.
10 – Dormir Sei que perco um tempo no qual poderia estar brincando ou passeando. Mas, quando, depois de brincar muuuuiito, o Digitador me segura em pé e com as mãos sob as minhas axilas, dou uma bela bocejada e não vejo a hora de ser levada para a caminha
9 – Ver TV Na maioria das vezes, o aparelho é ligado só quando tem futebol. Nesses dias, não dou muita bola. Mas, de vez em quando, o Digitador assiste a alguns filmes. Paro para ver quando tem gente falando alto, barulhos de sirenes e sons de animais
8 – Comer Sei que eu deveria gostar um pouco menos disso. Ai, mas é tão bom...
7 – Ser o centro das atenções Chegar a um lugar e ver um monte de gente falando em falsete me dá a certeza de que estou abafando. Modéstia às favas, eu nasci para brilhar
6 – Não fazer nada É raro, mas às vezes tudo o que eu quero é ficar deitada no pé do Digitador, contemplando o nada e ouvindo o barulhinho das teclas do computador. Isso me acalma
5 – Comprar Uma visita à pet shop sempre abre em mim a esperança de voltar pra casa com pelo menos um brinquedinho novo. Por isso, fico de olho no pacote de ração aqui em casa. Quando ele está acabando, significa que em breve voltarei às compras. Em tempo: antes de ser chamada de cadela-patricinha, aviso que eu não ligo pra grife
4 – Receber visitas Principalmente se tiver criança na parada. Rolam muitas brincadeiras novas com gente que tem uma disposição que, parece, o Digitador deixou em algum lugar do passado
3 – Morder estofados Por meio desse expediente, consigo avaliar a quantas anda a evolução da minha mordedura. O estrago é inevitável, mas sentar ali não é problema meu
2 – Passear pela feira livre Adoro ouvir os gritos dos feirantes e ver senhoras colocando a sacola no chão para brincar comigo
1 – Ir à praça Benedito Calixto É tudo num lugar só: cheiros, gente, paparicos, outros cães. Se tiver um paraíso para cachorros, não deve ser muito diferente desse lugar
Tudo isso posto, informo que já estou matutando um “top ten” com as coisas que mais me chateiam. Aguarde.
Não tenho nada a ver com a escolha do meu nome, mas poderia ter sido pior. Minha mãe se chama Shakira Son of Man, e meu pai, Tedy de Larissa Bright. É mole? Bom, vamos aos fatos: sou uma cadelinha da raça pug, superbrincalhona e (modéstia às favas) simpática. Nasci no dia 12 de setembro de 2007. Entre essa data e 9 de janeiro de 2008 - dia em que passei a dividir apê com um cara que pensa que é meu dono e que digita as minhas idéias -, pouca coisa aconteceu. Por isso, conto a minha vida a partir de então. Antes de começar, um aviso (especialmente dirigido ao cara acima, que passo a chamar de Digitador): eu não estou aqui para curar a carência de ninguém. Como diz a letra do único funk carioca que presta, o que eu quero é ser feliz!